PONTOS DO ESCRITOR ESPÍRITA

Chico Xavier

Porque o fruto da luz consiste em toda a bondade e justiça e verdade… (Efésios 5:9)

Selecionar os pensamentos, compreendendo a sua responsabilidade pelas imagens que veicule. Usar linguagem acessível a todos, evitando termos chulos. Recorrer ao passado para ensinar e referir-se ao futuro para construir, mas viver nas realidades do presente, colaborando com os irmãos de Humanidade na solução dos problemas que lhes tumultuam a vida. Consultar necessidades do povo a fim de ajudá-lo a encontrar caminhos de pacificação e progresso. Abster-se de extravagâncias verbais. Negar-se às divagações sem proveito Dialogar sempre com os profitentes de outros credos sem ferir-lhes as crenças, mas sem encorajar-lhes os enganos ou as superstições.

Respeitar os divergentes. Nunca destilar ódio ou azedume, desânimo ou injustiça. Consagrar-se ao estudo quanto possível, honorificando a Doutrina Espírita com a literatura sem ridículo. Jamais julgar-se superior aos outros pelo fato de dominar a linguagem escrita, reconhecendo que todas as faculdades e técnicas são veneráveis perante Deus. Reconhecer a autoridade moral de Nosso Senhor Jesus Cristo e submeter-se, sem subserviência ou pieguice, mas com dignidade e respeito, ao controle dos ensinamentos evangélicos explicados pelo Espiritismo Cristão. Cultivar o hábito da prece para que os seus textos humanos não se mostrem vazios de luz espiritual.

Espírito: EMMANUEL
Médium: Francisco Cândido Xavier
Livro: “Benção de Paz” - Edição GEEM

PÉTALAS DA PRIMAVERA

Chico Xavier

E as pétalas
Desprendem-se das flores,
Enviam o perfume que distilam
Para o Alto, sempre mais Alto,
Em reverência a Deus…
E depois se espalham pela Terra
Em sinal de agradecimento
Pela cor e beleza, aroma e vida,
Com que o mundo as fez,
Belas e brilhantes.

Espírito: EMMANUEL
Médium: Francisco Cândido Xavier
Livro: ” Pétalas da Primavera - EDIÇÃO UEM

NOS TRILHOS MAIS ÍNTIMOS

Chico Xavier

Além da beneficência que os recursos amoedados conseguem realizar, uma beneficência existe, ao alcance de todos, que pode frondejar e frutescer nos trilhos mais íntimos do cotidiano, começando por dentro do próprio lar. É o verbo que se cala ante a maledicência ou palavra otimista, que alimenta as boas intenções, convertendo-as em obras elogiáveis. É a gentileza que se dispensa ao vizinho, no culto do entendimento e da cordialidade que perdoa espontaneamente o gesto infeliz de algum companheiro. É o pensamento amigo que a bondade exterioriza, em favor do necessitado de paz, ou prece que se formula em apoio aos irmãos caídos em provação e desvalimento. É o serviço aparentemente insignificante que se pode prestar aos que nos compartilham das experiências diárias, quais sejam a informação útil ou a condução de um fardo pequenino. É a generosidade com que nos será justo suportar a irreflexão desse ou daquele interlocutor e a desculpa sem queixa para com as ofensas recebidas. Dessa benemerência, às vezes, despercebida nas agitações do mundo, nascem valiosos fatores para a harmonia da existência. Aprendamos a tolerar-nos uns aos outros, sem atrito, sem mágoa e sem lamentações. Reconheçamos que a possível falta de alguém, tanto quanto a enfermidade de companheiro determinado poderiam ser nossas.

E não olvidemos que o nosso beneficiário de hoje poderá ser o nosso benfeitor de amanhã. Situando o próprio coração em nossos gestos, marcando a nossa romagem com o selo da compreensão e do amor, estaremos efetivamente seguindo os exemplos do Amigo Celeste, que nos auxilia e socorre, de instante a instante, sem que venhamos a perceber.

Espírito: EMMANUEL
Médium: Francisco Cândido Xavier
Livro: “Convivência” - EDIÇÃO CÉU

NA TRILHA DO MESTRE

Chico Xavier

Partindo Jesus dali, viu um homem, chamado Mateus, sentado na coletoria, e disse-lhe: Segue-me! Ele se levantou e o seguiu. (Mateus 9:9) É importante verificar que o Mestre não estabelece condições para que o discípulo lhe compartilhe a jornada. Não pergunta se ele se julga dotado com a força conveniente…

Se é fraco de espírito…
Se é demasiado imperfeito…
Se sofre em família…
Se possui débitos a solver…
Se padece tentações…
Se está acusado de alguma falta…
Se retém valores de educação…
Se é rico ou pobre de possibilidades materiais…

O Senhor diz apenas segue-me, como quem afirma que, se o aprendiz se dispõe realmente a segui-lo, será suprido de socorros eficientes, em todas as suas necessidades. A lição é clara e expressiva. Reflitamos nela para que não venhamos a permanecer na sombra da indecisão.

Espírito: EMMANUEL
Médium: Francisco Cândido Xavier
Livro: “Benção de Paz” - EDIÇÃO GEEM

ANTE A BONDADE DE DEUS

Chico Xavier

Quando a feição do mal se afigure terrível, a ponto de insinuar nos espíritos mais valorosos a falsa suposição de que se encontram à frente da derrota do bem, medita nos recursos de Deus e prossegue na execução do dever que as circunstâncias te atribuem para que o bem prevaleça. Não te intimidem opiniões do desânimo, pareceres da dúvida, ameaças do crime ou exigências da inquietação. Continua leal à tarefa edificante que a vida te reservou. Medo e aflição alastram-se, geralmente, ante as arremetidas do mal; no entanto, a Bondade de Deus, sem alarde, intervém nas causas que as produzem,restaurando a segurança da paz e a marcha do progresso. Tiranos do passado, galardoados com as prerrogativas do poder, esmagaram povos inteiros, fornecendo a idéia de que lograriam perpetuar a iniqüidade entre as Nações, mas a bondade de deus, em silêncio, esperou a renovação que orienta os processos da Natureza e, em novas reencarnações, deu-lhes a disciplina dos escravos, na qual aprenderam, louvando o sofrimento, quando dói a ferida dos que foram situados em servidão. Malfeitores arguciosos, que a posse do ouro tantas vezes conserva impunes estenderam orfandade e viuvez, oferecendo a impressão de que propiciariam à ganância, força de lei sobre a Terra, mas em silêncio, a Bondade de Deus esperou a grande transformação que lhes competia e, em novas reecarnações, deu-lhes as disciplina dos filhos das regiões desoladas, na qual aprenderam, louvando o sofrimento, quanto dói o cativeiro da penúria e da fome. Criminosos inteligentes, garantidos pelo favor das convenções sociais, estabeleceram o império temporário da delinqüência afetiva, parecendo arrasar toda a conceituação de respeito e de amor, entre as criaturas, mas em silêncio, a Bondade de Deus esperou pelas metamorfoses inevitáveis da vida e , em novas reencarnações, deu-lhes as disciplina do corpo enfermo, na qual aprenderam, louvando o sofrimento, quanto dói o infortúnio dos que foram atirados ao desequilíbrio emotivo. Trabalha e confia no setor do bem que o mundo te entregou. E, quando o mal se alteie, diante de ti, prometendo esgotarte todas as reservas de serviço e de resistência, confia e trabalha, mesmo assim, na certeza de que, acima de todas as nossas forças podes contar, invariavelmente, com os recursos de Deus.

Espírito: EMMANUEL
Médium: Francisco Cândido Xavier
Livro: “Escrínio de Luz” - EDIÇÃO CLARIM

DEUS NOSSO PAI

Chico Xavier

Honrar nosso pai é honrar também a Deus. O nosso Pai de Infinita Bondade.
No instituto doméstico, os filhos amadurecidos na experiência honorificam os pais, através das obrigações executadasno lar.
Na residência planetária, os filhos de Deus, edificados na compreensão de Suas Leis, dignificam o Todo-Misericordioso por intermédio dos deveres retamente cumpridos, diante da humanidade nos caminhos do mundo.
Amamos a Deus na pessoa do próximo.
Comecemos o exercício dessa abnegação que nos proporcionará o necessário acesso à Luz Divina.
Fomos feridos nas tarefas cotidianas? Saibamos esquecer as ofensas do companheiro que ainda ignora as conseqüências do mal.
Golpes de injúria desceram sobre nós, procurando exterminar-nos a esperança e a coragem?
Entendamos a inexperiência daqueles que desconhecem a força da sobra que desencadeiam para si mesmos e continuemos a colaborar no levantamento do bem de todos.
Quem vem lá, faminto ou desesperado, tentando encontrar socorro e consolação?
Pausemos para servir porque é nosso familiar que nos bate à porta, suplicando asilo e compreensão.
Que pensar do infeliz que passa na via pública enxovalhado por sarcasmo e condenação?
Nenhuma dúvida paira em nosso espírito quanto ao imperativo de entendê-lo e auxiliá-lo porquanto ele é nosso irmão pela Paternidade Divina e espera por nosso devotamento.
Deus, o Senhor Supremo da Vida, o Pai que nos recebe diariamente os protestos de fidelidade e de amor conta em verdade conosco e em verdade precisa de nós.
Espera confiantemente sejamos o amparo aos desajustados, a fortaleza dos fracos, a energia dos fatigados, a benção dos que foram lançados à solidão.
Deus necessita de nós e deseja recebermos a cooperação ainda que humilde.
Envia-nos os necessitados de toda espécie e de todas as procedências para que Lhe representemos a Providência Divina.
Em toda parte, é possível receber esse mandato sublime e desempenhá-lo.
É por isso que Jesus, o filho mais altamente consagrado ao Supremo Senhor que a Terra já conheceu, assim se expressou fazendo-nos sentir que Deus está conosco e espera por nós em todas as circunstâncias: “Todo o bem que fizerdes no mundo ao último dos pequeninos, em verdade, é a mim que o fizestes.”

Espírito: BATUÍRA
Médium: Francisco Cândido Xavier
Livro: “Mais Luz” - EDIÇÃO GEEM

AVISO

Chico Xavier

Está sendo procurado.
Homem considerado galileu.
Trinta e três anos.
Pele clara e expressão triste.
Cabelos longos e barba maltratada.
Marcas sanguinolentas nas mãos e nos pés.

Caminha habitualmente, acompanhado de mendigos e vagabundos, doentes e mutilados, cegos e infelizes.
Onde aparece, freqüentemente, é visto, entre grande séquito de mulheres sendo algumas de má vida, com crianças esfarrapadas. quase sempre está seguido por doze pescadores e marginais. Demonstra respeito para com as autoridades, determinando se dê a Cesar o que é de Cesar, mas espalha ensinamentos
contrários à Lei antiga, como sejam:
- o perdão das ofensas;
- o amor aos inimigos;
- a oração em favor daqueles que nos perseguem ou caluniam;
- a distribuição indiscriminada de dádivas com os necessitados;
- o amparo aos enfermos, sejam eles quais forem;
- e chega ao cúmulo de recomendar que uma pessoa espancada numa face ofereça a outra ao agressor.

Ainda não se sabe se é um magico, mas testemunhas idôneas afirmam que ele multiplicou cinco pães e dois peixes em alimentação para mais de cinco mil pessoas, tendo sobrado doze cestos.
Considerado impostor por haver trazido pessoas mortas à vida, foi preso e espancado.
Sentenciado à morte, com absoluta aprovação do próprio povo, que o condenou, de preferência à Barrabás, malfeitor conhecido, recebeu insultos e pedradas, sem reclamar, quando conduzia a cruz às costas.

Não se ofendeu, quando questionado pela Justiça, complicando-se-lhe a situação, porque seus próprios seguidores o abandonaram nas horas difíceis.

Sob afrontas e zombarias, foi crucificado entre dois ladrões.
Não teve parentes que lhe demonstrassem solidariedade, a não ser sua Mãe, uma frágil mulher que chorava aos pés da cruz. Depois de morto, não se encontrou lugar para sepultá-lo, senão lodoso recanto de um túmulo por favor de um amigo. Após o terceiro dia do sepultamento, desapareceu do sepulcro e já foi visto por diversas pessoas que o identificaram pelas chagas sangrentas dos pés e das mãos. Esse é o homem que está sendo cuidadosamente procurado.

Seu nome é Jesus de Nazaré.
Se puderes encontrá-lo, deves segui-lo para sempre.

Espírito: MARIA DOLORES
Médium: Francisco Cândido Xavier
Livro: “Coração e Vida” - EDIÇÃO IDEAL

SERVE SEM APEGO

Chico Xavier

Usa, sem algemar-te,
Os bens de que desfrutes.
Medita nas riquezas
Que já se dispersaram.
Antigas obras de arte
Valorizam museus.
Títulos de ascendentes
São brazões sem calor.
Do que sejas ou tenhas,
Faze o melhor que possas.
Serve sem apegar-te,
Tudo pertence a Deus.

Espírito: EMMANUEL
Médium: Francisco Cândido Xavier
Livro: “Luz Bendita” - EDIÇÃO IDEAL

PRECE DIANTE DA MANJEDOURA

Chico Xavier

Senhor.
Diante da Manjedoura em que nos descerras o coração, ensina-nos a abrir os braços para receber-Te. Não nos relegues ao labirinto de nossas ilusões, nem nos abandones ao luxo de nossos problemas. Vimos ao Teu encontro, cansados de nossa própria fatuidade. Sol da Vida, não nos confies às trevas da morte. Fortalece-nos o bom ânimo. Reaviva-nos a fé.

Induze-nos à confiança e à boa vontade. Tu que renunciaste ao Céu em favor da Terra, ajuda-nos a descer, com o Supremo Bem, para sermos mais úteis!… Tu que deixaste a companhia dos anjos sábios e generosos, por amor aos homens ignorantes e infelizes, auxilia-nos a estender com os irmãos mais necessitados que nós mesmos o tesouro de luz que nos trazes!…

Defende-nos contra os vermes da vaidade. Ampara-nos contra as serpes do orgulho. Conduze-nos ao caminho do trabalho e da humildade. E, reconhecidos à frente do Teu Berço de Luminosa Esperança, nós te rogamos, sobretudo, os dons da simplicidade e da paz, para que sejamos contigo fiéis a Deus, hoje e sempre.

Assim seja.

Espírito: EMMANUEL
Médium: Francisco Cândido Xavier
Livro: “Antologia Mediúnica do Natal - EDIÇÃO FEB

OLHAI OS LÍRIOS

Chico Xavier

“…Considerai como crescem ao lírios do campo…” - Jesus (Mateus, 6:28)
“Olhai os lírios do campo …” - exortou-nos Jesus.

A lição nos adverte contra as inquietações improdutivas, sem compelir-nos à ociosidade. O lírios para se evidenciarem quais se revelam não se afligem e nem ceifam; no entanto, esforçam-se com paciência, desde a germinação, na próprio desenvolvimento, abstendo-se de agitações pela conquista de reservas desnecessárias com receio do futuro, por acreditarem instintivamente nos suprimentos da vida.

Não fiam nem tecem para mostrarem na formosura que os caracteriza; todavia, não desdenham fazer o que podem, a fim de cooperar no enriquecimento do esforço humano.

Não se preocupam em ser gerânios ou cravos e sim aceitem-se na configuração e na essência de que se viram formados, segundo os princípios da espécie.

Não cogitam de criticar as outras plantas que lhes ocupam a vizinhança, deixando a cada uma o direito de serem elas mesmas, nas atividades que lhes dizem respeito à própria destinação. Admitem calor e frio, vento e chuva, deles aproveitando aquilo que lhes possam doar de útil, sem se queixarem dos supostos excessos em que se exprimam.

Não indagam quanto à condição ou à posição daqueles a quem consigam prestar serviço, seja acrescentando beleza e perfume à Terra ou ornamentando festas e colaborando no interesse das criaturas em valor de mercado. E, sobretudo, desabrocham e servem, no lugar em que foram situados pela Sabedoria Divina, através das forças da natureza, ainda mesmo quando tragam as raízes mergulhadas no pântano.

Evidentemente, nós, os espíritos humanos, não somos elementos do reino vegetal, mas podemos aprender com os lírios, serenidade e aceitação, paz e trabalho, com as responsabilidades e privilégios do discernimento e da razão que uma simples flor ainda não tem.

Espírito: EMMANUEL
Médium: Francisco Cândido Xavier
Livro: “Aulas da Vida” - EDIÇÃO IDEAL