IMAGINA

Chico Xavier

Imagina-te possuindo irmãos furtados do lar quando pequeninos. Arrebatados ao teu afeto, foram aprisionados sem culpa e cresceram em regime de cativeiro, quais bois na canga, conduzindo a cabeça do arado ou sustentando a moeda. Traficados como alimárias, erguiam-se com a aurora e suavam no eito, enquanto o dia tivesse luz. Se doentes, tinham remédios nas próprias lágrimas. Se chorosos, recebiam chicotadas para consôlo. Embora amassem profundamente aos seus, eram constrangidos a contemplar soluçando as próprias esposas vendidas a mãos mercenárias e os tenros filhinhos entregues à lavagem amontoada no côcho. Desejariam estudar, mas eram propositadamente arredados da escola. E se mostrassem qualquer anseio de liberdade, eram postos a ferro e varados até a morte… Imagina igualmente que êsses irmãos menos felizes, criados distantes de teu carinho, voltassem do Plano Espiritual ao convívio das criaturas terrestres e fossem motivos de hilaridade pela linguagem primitivista em que ainda se expressam. Pensa neles como sendo algemados aos caprichos daqueles mesmos que lhes devem respeito e renovação, à maneira de cães amestrados para objetivos inferiores. Engodados nos bons sentimentos, em regressando ao mundo, onde foram suplicados na confiança ingênua, continuam mantidos por vítimas e jograis. Imagina tudo isso e sentirás o coração confranger-se de imensa dor, ao ver companheiros desencarnados iludidos na boa fé. Longe de explorá-los com perguntas indiscretas e ordenações deprimentes, saberás ajudá-los pela benção do amor. E entenderás, então, que se todos endereçamos aos Instrutores da Vida Maior petitórios constantes de socorro e de paciência, cada um deles também diante de nós, exibe no coração as quatro palavras de nossa velha súplica: - “Tem dó de mim!”

Espírito: EMMANUEL
Médium: Francisco Cândido Xavier
Livro: “Seara dos Médiuns” - Edição FEB

ALGO MAIS NO NATAL

Chico Xavier

Senhor Jesus!
Diante do Natal, que te lembra a glória na manjedoura, nós te agradecemos:
a música da oração;
o regosijo da fé;
a mensagem de amor;
a alegria do lar;
o apêlo a fraternidade;
o júbilo da esperança;
a bênção do trabalho;
a confiança no bem;
o tesouro da tua paz;
a palavra da Boa Nova;
e a confiança no futuro!…
Entretanto, oh! Divino Mestre, de corações voltados para o teu coração, nós te suplicamos algo mais! …Concede-nos,
Senhor, o dom inefável da humildade para que tenhamos a precisa coragem de seguir-te os exemplos!

Espírito: EMMANUEL
Médium: Francisco Cândido Xavier
Livro: “Luz do Coração” - Edição CLARIM

PROGRAMA CRISTÃO

Chico Xavier

Aceitar a direção de Jesus.
Consagrar-se ao Evangelho Redentor.
Dominar a si mesmo.
Desenvolver os sentimentos superiores.
Acentuar as qualidades nobres.
Sublimar aspirações e desejos.
Combater as paixões desordenadas no campo íntimo.
Acrisolar a virtude.
Intensificar a cultura, melhorando conhecimentos e aprimorando aptidões.
Iluminar o raciocínio.
Fortalecer a fé.
Dilatar a esperança.
Cultivar o bem.
Semear a verdade.
Renovar o próprio caminho, pavimentando-o com o trabalho digno.
Renunciar ao menor esforço.
Apagar os pretextos que costumam adiar os serviços nobres.
Estender o espírito de serviço, secretariando as próprias edificações.
Realizar a bondade, antes de ensiná-la aos outros.
Concretizar os ideais elevados que norteiam a crença.
Esquecer do perigo no socorro aos semelhantes.
Colocar-se em esfera superior ao plano escuro da maledicência
Ganhar tempo, aproveitando as horas em atividade sadia.
Enfrentar corajosamente os problemas difíceis na experiência humana.
Amparar os ignorantes e os maus.
Auxiliar os doentes e os fracos.
Acender a lâmpada da boa vontade onde haja sombras e incompreensão.
Encontrar nos obstáculos os necessários recursos à superação de si próprio.
Perseverar no bem até o fim da luta.
Situar a reforma de si mesmo, em Jesus Cristo, acima de todas as exigências da vida terrestre.

Espírito: EMMANUEL
Médium: Francisco Cândido Xavier
Livro: “Taça de Luz” - Edição LAKE

VEM!

Chico Xavier

“E quem o ouve, diga:
Vem. E quem tem sede, venha”
(Apocalipse, 22:17.)

A Terra é a grande escola das almas em que se educam alunos de todas as idades. Se atingiste o nível das grandes experiências, não te inquiete a incessante extensão do trabalho. Não enxergues inimigos nos semelhantes de entendimento imperfeito. Muitos deles não saíram ainda do jardim de infância espiritual.

Dá sempre o bem pelo mal, a verdade pela mentira e o amor pela indiferença… A inexperiência e a ignorância dos corações que se iniciam na luta fazem, freqüentemente, grande algazarra em torno do espírito que procura a si mesmo.

Espírito: EMMANUEL
Médium: Francisco Cândido Xavier
Livro: “Doutrina e Aplicação” - Edição C.E.U.

PÉS E PAZ

Chico Xavier

Expressiva a decisão de Jesus, lavando os pés dos discípulos. Recordemos que o Senhor não opera a ablução da cabeça que pensa, vê e ouve, traduzindo o sentimento com os dons divinos da reflexão e com as faculdades superiores da palavra, nem lhes alimpa as mãos que trazem consigo a excelência dos recursos tácteis para a glorificação do trabalho e a muda linguagem dos gestos, que exprimem afetividade e consolação. Lava-lhes simplesmente os pés, base de sustentação do corpo e implementos da criatura física que entram em contacto com a lama e pó da Terra, padecendo espinheiros e charcos. E purifica-lhes semelhantes apêndices, necessários à vida humana, sem reproche e sem queixa. Lembremo-nos, pois, do ensinamento sublime e lavemos os pés uns dos outros, com a bênção da humildade, no silêncio do amor puro que tudo compreende, tudo suporta, tudo santifica e tudo crê, porquanto apenas tolerando e entendendo a poeira e o lodo que ainda apontem dos caminhos alheios é que redimiremos os nossos, atingindo a verdadeira paz.

Espírito: EMMANUEL
Médium: Francisco Cândido Xavier
Livro: “Encontro de Paz” - Edição IDE

NÓS, PORÉM…

Chico Xavier

Efetivamente, o caminho mais fácil para o homem do mundo é:
seguir as normas estabelecidas;
nada criar de útil;
buscar as vantagens imediatas;
estudar os lucros prováveis;
selecionar as alegrias;
colher preciosidades efêmeras;
perseguir flores passageiras;
entronizar a fantasia;
aplaudir a mentira que lhe conquiste prazeres;
descansar sempre;
nada fazer no campo do sacrifício;

prender-se às opiniões convencionais e perder o dia com absoluto desprestígio das Bênçãos Divinas que lhe conferiram a oportunidade da existência terrestre, para, no fim, encontrar-se com a morte do corpo, face a face. Esse é o roteiro preferido pela maioria das criaturas. Nós, porém, somos candidatos à Espiritualidade Superior e nosso domicílio não se fundamenta no solo da Terra. Em nossas tarefas, somos compelidos a começar pela simplicidade da Manjedoura, escalar a montanha áspera do serviço e aguardar a partida através da Cruz. Não esperemos outro caminho, senão aquele do Mestre Querido que buscamos. Outra felicidade não interessa ao discípulo fiel e não podemos trair o mandato daquele Senhor, Justo e Amoroso, quenos elevou a preço de seus próprio sangue e de sua própria renúncia.

Espírito: NINA
Médium: Francisco Cândido Xavier
Livro: “Presença de Chico Xavier” - Edição IDE

VOZ NO CORAÇÃO

Chico Xavier

Alma irmã !…
Não me condenes.
Venho ofertar-te
Renovação e experiência
E mostrar-te nos outros
Os irmãos do caminho
Que amam, sofrem e aprendem
Qual te acontece,
A fim de que te movas
Ao sol da compaixão.
Venho mostrar-te ainda
O peso que há na culpa
E o valor do perdão.
Sobretudo, sou eu
Quem te revela
A grandeza do amor
Na luz da compreensão.
Peço: não me censures.
Venho em nome de Deus,
Sou tua dor.

Espírito: MEIMEI
Médium: Francisco Cândido Xavier
Livro: “Amizade” - Edição IDEAL

ENCONTRO MARCADO

Chico Xavier

Cap. VIII – Item 19

Quando a aflição lhe bateu à porta, o discípulo tomou as notícias do Senhor e leu-lhe a promessa divina:- “Estarei convosco até ao fim dos séculos…” Acendeu-se-lhe a esperança no imo dalma.
E, certa manhã, partiu à procura do Mestre, à feição da corça transviada no deserto, quando suspira pela fonte das águas vivas. Entrou num templo repleto de luzes faiscantes, onde se venerava a memória; todavia, não obstante sentir que a fé aí brilhava entre cânticos reverentes e flores devotas, não encontrou o Divino Amigo. Buscou-o nos vastos recintos, onde se lhe pronunciava o nome com inflexão de supremo respeito; contudo, apesar de surpreender-lhe o ensinamento puro, no verbo daqueles que sobraçavam dourados livros, não lhe anotou a presença. Na jornada exaustiva, gastou as horas… Em vão, atravessou portadas e colunas, altares e jardins. Descia, gélida, a noite, quando escutou os gemidos de uma criança doente, abandonada à sarjeta. Ajoelhando-se, asilou-a amorosamente na concha dos próprios braços. Ao levantar os olhos, viu Jesus, diante dele, e, fremente, bradou:

- Mestre! Mestre!…
O Excelso Benfeitor afagou-lhe a cabeça fatigada, como quem lhe expungia toda a chaga de angústia, e falou, compassivo:

- Realmente, filho meu, estarei com todos e em toda parte, até ao fim dos séculos; no entanto, moro no coração da caridade, em cuja luz tenho encontro marcado com todos os aprendizes do bem eterno… Debalde, tentou o discípulo reter o Senhor de encontro ao peito… Através da neblina, espessa das lágrimas a lhe inundarem o rosto mudo, reparou que a celeste visão se diluía no anilado fulgor do céu vespertino, mas, na acústica do próprio ser, ressoavam para ele agora as palavras inesquecíveis:

- Toda vez que amparardes a um desses pequeninos, por amor de meu nome, é a mim que o fazeis…

Espírito: MEIMEI
Médium: Francisco Cândido Xavier
Livro: “O Espírito da Verdade” - Edição FEB

CELINA

Chico Xavier

Quando elevamos ao céu nosso olhar suplicante, há para todos nós, os que se afligem na provação, uma carinhosa e compassiva Mãe que nos ampara e consola…

Compadece-se de nossa dor, contempla-nos com misericórdia e manda-nos então o anjo da sua bondade, para balsamizar nossos padecimentos… É Celina, a suave mensageira da Virgem, a Mãe de todas as mães, o gênio tutelar da humanidade sofredora… Quando o pranto aflora nos olhos das que são filhas e irmãs, das que são esposas e mães na Terra, no coração das quais, muitas vezes, se concentra a amargura, vem Celina e toma-as nos seus braços de névoa resplandecente e, através dos ouvidos da consciência, lhes diz com brandura: “Veio a dor bater à vossa porta? Coragem… Não desanimeis nas ásperas lutas que objetivam vosso aprimoramento moral. Pensai n’Aquela que teve sua alma recortada de martírios, lacerada de sofrimentos, atormentada de angústias. Ela se desvela do céu por todas aquelas almas que escolheram sua pegadas de Mãe amorosa e compassiva. Foi ela que, escutando a oração de vossa fé, me enviou para que eu vos desse as flores de seu amor sacrossanto, portadoras da paz, da humildade e, sobretudo, da paciência: porque o acaso não existe e tudo na vida obedece a uma lei inteligente de causalidade que foge aos vossos olhos, que se sentem impossibilitados de ver toda a verdade: Tomai minhas mãos! Cumpri austeramente, fechai vossos olhos àquilo que pode obstar vossos passos para a luz e caminhai comigo. Os anos são minúsculas frações de tempo e, um dia, sem vos deterdes com o cansaço, chegareis ao pé d’Aquela que é vossa Mãe desvelada de todos os instantes!…” E todas aquelas que ouvem, sentem-se sustentadas por braços tutelares, na noite escura das dores, e vertendo lágrimas amargosas, preparam-se e se iluminam na pedregosa senda da virtude para respirar os ares felizes do encantado país onde desabrocham os lírios maravilhosos da esperança!

Espírito: MARIA JOÃO DE DEUS
Médium: Francisco Cândido Xavier
Livro: “Mãe” - Edição CLARIM

REMUNERAÇÃO ESPIRITUAL

Chico Xavier

“O lavrador que trabalha deve ser o primeiro a gozar dos frutos.” Paulo – Timóteo, 2:6

Além do salário amoedado o trabalho se faz invariavelmente, seguido de remuneração espiritual respectiva, da qual salientamos alguns dos itens mais significativos: acende a luz da experiência; ensina-nos a conhecer as dificuldades e problemas do próximo, induzindo-nos, por isso mesmo, a respeitá-lo; promove a auto-educação; desenvolve a criatividade e a noção de valor do tempo; imuniza contra os perigos da aventura e do tédio; estabelece apreço em nosso área de ação; dilata o entendimento; amplia-nos o campo das relações afetivas; atrai simpatia e colaboração; extingue, a pouco e pouco, as tendências inferiores que ainda estejamos trazendo de existências passadas. Quando o trabalho, no entretanto, se transforma em prazer de servir, surge o ponto mais importante da remuneração espiritual: toda vez que a Justiça Divina nos procura no endereço exato para execução das sentenças que lavramos contra nós próprios, segundo as leis de causa e efeito, se nos encontra em serviço ao próximo, manda a Divina Misericórdia que a execução seja suspensa, por tempo indeterminado. E, quando ocorre, em momento oportuno, o nosso contato indispensável com os mecanismos da Justiça Terrena, eis que a influência de todos aqueles a quem, porventura, tenhamos prestado algum beneficio aparece em nosso auxílio, já que semelhantes companheiros se convertem espontaneamente em advogados naturais de nossa causa, amenizando as penalidades em que estejamos incursos ou suprindo-as, de todo, se já tivermos resgatado em amor aquilo que devíamos em provação ou sofrimento, para a retificação e tranquilidade em nós mesmos. Reflitamos nisso e concluamos que trabalhar e servir, em qualquer parte, ser-nos-ão sempre apoio constante e promoção à Vida Melhor.

Espírito: EMMANUEL
Médium: Francisco Cândido Xavier
Livro: “Perante Jesus” - Edição IDEAL