Chave para a Paz

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Dou-vos uma chave para a paz: simplicidade. Não haverá paz na Terra enquanto os homens não abdicarem dos artificialismos, das convenções sociais infundadas, das complicadas manobras para obterem posição e poder, dos labirintos da sofisticada ilusão que têm criado, das susceptibilidades exacerbadas pelo excessivo cuidado com as suas próprias personalidades, dos exibicionismos das posses, dos estilos, da força e da pretensa superioridade.

Não haverá paz na Terra enquanto os homens não puderem amar espontaneamente, sem medirem estatutos e grandeza, sem defenderem posições próprias ou cobiçarem as alheias, sem reservas e fingimentos, sem repugnâncias e ares afectados, sem ostentações e invejas.

Não haverá paz na Terra, enquanto os homens não compreenderem que é a mesma Vida que em todos pulsa e, por isso, quão estéreis, quão frágeis e infundados são os pensamentos que catalogam diferenças formais, que separam odiosamente raças e castas, níveis sociais e etiquetas de boas ou rudes maneiras; quão absurdamente complicado, pervertido e rebuscado é pretender alguém ser mais do que alguém, é pretender alguém ter mais do que alguém, é pretender alguém subir mais alto do que alguém nos pobres critérios da visão material das coisas. Por isso foi dito — e repito: “bem-aventurados os que têm um coração de pobre, porque deles é o Reino dos Céus!”.

Não haverá paz no mundo enquanto houver falta de escrúpulos — nas pequenas como nas grandes coisas, nos assuntos pessoais do dia-a-dia, como nos assuntos dos estados e das relações entre países.

Não haverá paz no mundo enquanto houver mentiras, subterfúgios e malévolas intenções para subir nos empregos e na escala social, para forjar uma imagem de seriedade que realmente se não tem, para, fazendo-se o mal, arvorar-se o angélico papel de vítima.

Não haverá paz no mundo enquanto se capitular perante o mal, por simples comodismo, por cobardia ou por leviandade!

Não haverá paz na Terra enquanto, por ação ou por omissão, houver sujeitos e cúmplices — e cúmplices! — da agressão, da usurpação, da negação da igualdade e identidade fundamental de todos os seres.

Não haverá paz na Terra enquanto alguém se considerar dono (ou com direito a abusar) de outros homens, ou violentar animais gratuitamente, ou pretender escravizar, forçar e prostituir a Natureza. Não haverá paz na Terra enquanto se espezinharem os direitos Humanos e da Vida — melhor dizendo, a dignidade do Homem e da Vida — e se negar (ou renegar, por mau uso), a Sagrada Liberdade. Não haverá paz na Terra enquanto não houver Justiça. Não haverá paz na Terra enquanto não houver Perdão. Não haverá paz na Terra enquanto não houver paz nos corações, em todos os corações.