Dez Apontamentos de Paz

Vida

1º. Aprenda a desculpar infinitamente para que os seus erros,
à frente dos outros, sejam esquecidos e perdoados.

2º. Cale-se, diante do escárnio e da ofensa, sustentando o
silêncio edificante, capaz de ambientar-lhe a palavra fraterna em
momento oportuno.

3º. Não cultive desafetos, recordando que a aversão por
determinada criatura é, quase sempre, o resultado da aversão que lhe impuseste.

4º. Não permita que o egoísmo e a vaidade, o orgulho e a
discórdia se enraízem no seu coração, lembrando que toda a idéia de
superestimação dos próprios valores é adubo nos espinheiros da irritação e do ódio.

5º. Perante o companheiro que se rendeu às tentações de
natureza inferior, deixe que a compaixão lhe ilumine os pontos de vista,
pensando que, em outras circunstâncias, poderia você ocupar-lhe a indesejável
situação e o lugar triste.

6º. Não erga a sua voz demasiado e nem tempere a sua frase
com fel para que a sua palavra não envenene as chagas do próximo.

7º. Levante-se, cada dia, com a disposição de ser sem a
preocupação de ser servido, de auxiliar sem retribuição e cooperar sem
recompensa, para que a solidariedade espontânea te favoreça com os créditos e
recursos da simpatia.

8º. Esqueça a calúnia e a maledicência, a perversidade e as
aflições que lhe dilaceram a alma, entendendo nas dores e obstáculos do mundo
as suas melhores oportunidades de redenção.

9º. Lembre-se de que os seus credores estão registrando a
linguagem de seus exemplos e perdoar-lhe-ão as faltas e os débitos, à medida
que você se fizer o benfeitor desinteressado de muitos.

10º. Não julgue que o serviço da paz seja mero problema de
boca mas, sim, testemunho de amor e renúncia, regeneração e humildade da
própria vida, porque, somente ao preço de nosso próprio suor, na obra do
bem, é que conseguiremos reconciliar-nos, mais depressa, com os nossos
adversários, segundo a lição do Senhor.

(De “Mentores e Seareiros”, de Francisco Cândido Xavier)

Os espíritos falam sobre o casamento

Espiritos

Para quê serve o casamento? O casamento é importante para nossa vida? É uma “instituição falida” como muitos dizem? E o divórcio? O que os espíritos falam sobre isso?

O casamento constitui um dos primeiros atos de progresso nas sociedades humanas. Nela se estabelece a solidariedade fraterna e ocorre em todos os povos, embora seja em condições bem diversas.

Muitos dizem que o casamento é uma “instituição falida.” Ora, a abolição do casamento seria o regresso a infância da humanidade e colocaria o homem abaixo até mesmo de certos animais que lhe dão o exemplo de uniões constantes.

Segundo os espíritos que se comunicaram com o Professor, Filósofo, Cientista e Matemático Hippolyte Léon Denizard Rivail, o Allan Kardec, na segunda metade do século 19, o casamento não é só a união dos sexos pela forma carnal. Nela deve prevalecer a lei do amor, constituindo assim uma união não só material mas também com os laços da alma.

Segundo os espíritos, quis Deus que essa afeição mútua das almas fosse transmitido aos filhos e que não fosse somente um mas dois a amá-los, a cuidar deles e a fazê-los progredir.

Mas vamos analisar os casamentos atuais: a lei do amor é tida em consideração? Aquele amor que envolve respeito, solidariedade, abdicação, dedicação, perdão e tudo que há de mais sublime?

É… pois muitos confundem amor com sexo, desejo, posse, ciúme… Tem até alguns que dizem que o beijo é a “medida do amor”, como se esse sentimento tão grandioso pudesse ser medido com apenas um beijo mais ou menos intenso. Na maioria das vezes, ainda o interesse material prevalece, infelizmente.

Não adianta lei civil, casamento em igreja, reza, despacho, simpatia, nada disso vai segurar um casamento cuja base não está estabelecida na lei do amor.

Quem casa por paixão tem que se lembrar que paixão acaba como a chama de uma pequena vela de aniversário. Basta um sopro que toda aquela ilusão desaparece.

Já quem casa pelo sexo, por que tem uma mulher gostosissima boa de cama ou um maridão gostosão que lhe faz loucuras, o casamento só irá durar enquanto a mulher não engordar e envelhecer ou enquanto o homem não ficar barrigudo, careca e muitas vezes impotente.

A satisfação pura e simples dos instintos no matrimônio levam os casados a uma saturação recíproca e a um isolamento, deteriorando o casamento e levando ao seu declínio.

Com o amor não. O amor é eterno e independe dos interesses materiais. O amor perdoa. O amor não dá espaço para o ciúme. Muito menos para a violência.

Aqueles que não conhecem o amor, provavelmente não tiveram uma boa mãe ou um bom pai. Pois ali está o amor verdadeiro. Os pais que amam verdadeiramente seus filhos, brigam com os pequenos, dizem “não” mas no final sempre perdoam, jamais deixam o filho só e são os seus melhores amigos.

Como o mundo está cada vez mais material, o que vemos é um festival de divórcios. E quem sofre com isso é a nossa juventude, futuro do amanhã, que crescerá sem uma base familiar sólida.

O espírito de Emmanuel, em livro psicografado através de Chico Xavier diz: “Casamento é compromisso e compromisso gera, evidentemente, responsabilidade”. Tá vendo aí? Casamento é coisa séria. Quantos jogadores de futebol famosos, começam a namorar e em menos de um ano casa-se com a moça, consumindo milhões de dólares só na realização da festa e um ano depois se separa muitas vezes com um filho produzido? E quem é a grande vítima de um casamento impensado e infeliz?

É a sociedade. O espírito Francisco do Monte Alverne, ditou a Divaldo Franco: como a sociedade se constitui dos membros que se unem em torno do lar, a família, os filhos são os vitimados indefesos pela leviandade e precipitação dos adultos mal formados.

Os filhos necessitam de exemplos de equilíbrio e devotamento.

A lei do amor, que sempre deve reger as ligações entre um casal, permite que pessoas se procurem e se escolham, mas exige, também, que se respeitem e que se apóiem ante as provas e dificuldades da vida.

O espírito Emmanuel nos esclarece no livro “Vida e Sexo” três tipos de casamento. São eles:

Casamento de provação: quando dois seres se unem e dessa união nasce um casamento dito como infeliz, quando na realidade é necessário para pôr em prova o homem e a mulher. Exemplo, um homem que na encarnação passada era inimigo de determinada pessoa e que nessa nova vida esse mesmo homem escolhe como prova antes de reencarnar um casamento com esse inimigo passado, fazendo com que ele se atraia por ela, casem e depois passe por situações difíceis nesse matrimônio.

Casamento de resgate: como o próprio nome diz é a união com o objetivo de resgatar um erro e transformá-lo em acerto. Um exemplo: na encarnação passada o homem leva com seus atos e atitudes determinada mulher a prostituição. Então nessa nova vida, antes de reencarnar, esse homem já arrependido, consciente e evoluído com o que fez, escolhe fazer o caminho inverso, se casando com uma prostituta e tirando ela de uma vida promíscua.

Casamento pleno: do lado de lá também existem casais que sentem uma grande afinidade espiritual e por isso vivem sempre juntos, nascendo sempre na mesma família ou sendo grandes amigos durante várias e várias reencarnações. Quando nascem com o objetivo de casar, forma o casamento pleno, equilibrado, onde prevalece a afinidade espiritual. Nessas relações, o interesse material e sexual praticamente não tem nenhum valor decisivo na sustentabilidade do casamento. São os chamados casamentos felizes, muitas vezes com o objetivo de formar cidadãos corretos para a sociedade.

E o divórcio?

No item 5 nas páginas 331 a 332 do Evangelho Segundo o Espiritismo, livro onde vários espíritos superiores comentam o evangelho de Jesus Cristo, eles dizem que o divórcio é lei humana que tem por objeto separar legalmente o que já, de fato, está separado. Não é contrário à lei de Deus, pois que apenas reforma o que os homens hão feito e só é aplicável nos casos em que não se levou em conta a lei divina. Se fosse contrário a essa lei, a própria Igreja seria obrigada a considerar prevaricadores aqueles de seus chefes que, por autoridade própria e em nome da religião, hão imposto o divórcio em mais de uma ocasião. E dupla seria aí a prevaricação, porque, nesses casos, o divórcio há objetivado unicamente interesses materiais e não a satisfação da lei de amor.

E ainda dizem: Mas, nem mesmo Jesus consagrou a indissolubilidade absoluta do casamento. Não disse ele: “Foi por causa da dureza dos vossos corações que Moisés permitiu despedísseis vossas mulheres?” Isso significa que, já ao tempo de Moisés, não sendo a afeição mútua a única determinante do casamento, a separação podia tornar-se necessária. Acrescenta, porém: “no princípio, não foi assim”, isto é, na origem da Humanidade, quando os homens ainda não estavam pervertidos pelo egoísmo e pelo orgulho e viviam segundo a lei de Deus, as uniões, derivando da simpatia, e não da vaidade ou da ambição, nenhum ensejo davam ao repúdio.

Isso é mais uma verdade revelada pelos espíritos do além. Pesquise mais sobre esse assunto, clicando na seção “Livros” no menu do lado esquerdo. Lá você irá encontrar todos os livros que citei nesse artigo.

Boas descobertas!

O Destino: segundo Chico Xavier

Espiritos

” Embora ninguém possa voltar atrás e
fazer um novo começo, qualquer um pode
começar agora e fazer um novo fim “.

“Nasceste no lar que precisavas, Vestiste o corpo físico que merecias,
moras onde melhor Deus te proporcionou, de acordo com teu adiantamento.

Possuis os recursos financeiros coerentes com as tuas necessidades, nem
mais, nem menos, mas o justo para as tuas lutas terrenas.
Teu ambiente de trabalho é o que elegeste espontaneamente para a tua realização.

Teus parentes, amigos são as almas que atraístes, com tua própria afinidade.
Portanto, teu destino está constantemente sobre teu controle.

Tu escolhes, recolhes, eleges, atrais, buscas, expulsas, modificas tudo
aquilo que te rodeia a existência. Teus pensamentos e vontades são a chave
de teus atos e atitudes…

São as fontes de atração e repulsão na tua jornada vivência.
Não reclames nem te faças de vítima. Antes de tudo, analisa e observa.
A mudança está em tuas mãos. Reprograme tua meta, busque o bem e viverás melhor.”

Chico Xavier

Mensagem do Além

Morte

Não espere a morte para solucionar as questões da vida, nem alegue enfermidade ou velhice para desistir de aprender, porque estamos excessivamente distantes do Céu. A sepultura não é uma cigana, cheia de promessas miraculosas, e sim uma porta mais larga de acesso à nossa própria consciência.

Não viva pedindo orientação espiritual, indefinidamente. Se você já possui duas semanas de conhecimento cristão, sabe, à saciedade, o que fazer.

Não gaste suas energias, tentando consertar os outros de qualquer modo. Quando consertamos a nós mesmos, reconhecemos que o mundo está administrado pela Sabedoria Divina e que a obrigação de cooperar invariavelmente para o bem é nosso dever primordial.

Não acuse os Espíritos desencarnados sofredores, pelos seus fracassos na luta. Repare o ritmo da própria vida, examine a receita e a despesa, suas ações e reações, seus modos e atitudes, seus compromissos e determinações, e reconhecerá que você tem a situação que procura e colhe exatamente o que semeia.

Não recorra sistematicamente aos amigos espirituais, quanto a comezinhos deveres que lhe competem no caminho comum. Eles são igualmente ocupados, enfrentam problemas maiores que os seus, detêm responsabilidades mais graves e imediatas, e você, nas lutas vulgares da Terra, não teria coragem de pedir ao professor generoso e benevolente que desempenhasse funções de ama-seca.

André Luiz (Chico Xavier) em “Agenda Cristã”

O Fenômeno Hydesville

Espiritos

Aparições de espíritos são relatadas desde o início dos tempos. Temos casos de aparições na antiga Grécia, na civilização egípcia, no antigo oriente até as civilizações que habitavam as Américas descobertas pela Europa no século XIV.

Mas dentre todos esses relatos de aparições de espíritos, uma se destaca e é tido como um divisor de águas: o fenômeno de Hydesville.

O ano era 1848, o vilarejo, Hydesville, Estados Unidos. O que lá aconteceu assombrou o mundo. Foi o primeiro caso de comunicação direta com espíritos, noticiado pela imprensa mundial e testemunhado por jornalistas e estudiosos.

Na casa de uma família americana chamada Fox, que morava num vilarejo de nome Hydesville, no Estado de New York, começaram a manifestar-se forças sobrenaturais que pareciam vir do invisível.

Essa casa já apresentava estranhos ruídos nas paredes, batidos e barulho de passos, com indícios de serem provenientes de uma inteligência oculta desejando se comunicar, bem antes da família Fox se mudar para lá. Em 1844 o mesmo já tinha acontecido com o casal Bells e em 1846 com a família Weekman. Ambas essas famílias saíram dessa casa por conta desses fenômenos.

Inicialmente os Fox não sofreram nenhum incomodo em sua nova residência. Entretanto, algum tempo depois, mais precisamente nos dois primeiros meses de 1848, os mesmos ruídos insólitos que perturbaram os antigos inquilinos voltaram a manifestar-se outra vez. Eram batidas leves, sons semelhantes aos arranhões nas paredes, assoalhos e moveis, os quais poderiam perfeitamente ser confundidos com rumores naturais produzidos por vento, estalos do madeiramento, rato, etc. Por isso a família Fox não deveria ter-se sentido molestada ou alarmada. Entretanto, tais ruídos cresceram de intensidade, a partir de meados de marco de 1848. Batidas mais nítidas e sons de arrastar de moveis começaram a fazer-se ouvir, pondo as meninas em sobressalto, a ponto de negarem-se a dormir sozinhas no seu quarto, e passarem a querer dormir no quarto dos pais. A principio os habitantes da casa, ainda incrédulos quanto aa possível origem sobrenatural dos ruídos. levantavam-se e procuravam localizar a causas natural dos mesmos.

Na noite de 31 de marco de 1848, desencadeou-se uma série de sons muito fortes e continuados. Ai, então, deu-se o primeiro lance do fantástico episódio, que ficou como um marco inamovível na historia da fenomenologia paranormal. A garota de sete anos de idade - a Kate Fox - em sua espontaneidade de criança teve a audácia de desafiar a “forca invisível” a repetir, com os golpes, as palmas que ela batia com as mãos! A resposta foi imediata, a cada estalo um golpe era ouvido logo a seguir! Ali estava a prova de que a causa dos sons seria uma inteligência incorpórea. Para apreciar-se bem o sabor desta incrível aventura, vamos transcrever alguns trechos do depoimento da Sra. Margareth Fox.

“Na noite de sexta-feira, 31 de marco de 1848, resolvemos ir para a cama um pouco mais cedo e não nos deixamos perturbar pelos barulhos; íamos ter uma noite de repouso. Meu marido que aqui estava em todas as ocasiões, ouviu os ruídos e ajudou a pesquisar. Naquela noite fomos cedo para a cama - apenas escurecera. Achava-me tal alquebrada e com falta de repouso que quase me sentia doente. Meu marido não tinha ido para a cama quando ouvimos o primeiro ruído naquela noite. Eu apenas me havia deitado. A coisa começou como de costume. Eu distinguia de qualquer outro ruído jamais ouvido. As meninas, que dormiam em outra cama no quarto, ouviram as batidas e procuraram fazer ruídos semelhantes, estalando os dedos. Minha filha menor, Kate, disse, batendo palmas:” “Senhor Pé Rachado, Faça o que eu faço.” Imediatamente seguiu-se o som, com o mesmo numero de palmadas. Quando ela parou, o som logo parou. Então Margareth disse brincando: “Agora faca exatamente como eu. Conte um, dois, três, quatro” e bateu palmas. Então os ruídos se produziram como antes. Ela teve medo de repetir o ensaio. Então Kate disse, na simplicidade infantil: “Oh! mamãe! eu já sei o que é. Amanha é primeiro de abril e alguém quer nos pregar uma mentira.”

“Então pensei em fazer um teste que ninguém seria capaz de responder. Pedi que fossem indicadas as idades de meus filhos, sucessivamente. Instantaneamente foi dada a exata idade de cada um, fazendo pausa de um para outro, a fim de separar, ate o sétimo, depois do que se fez uma pausa maior e três batidas mais fortes foram dadas, correspondendo à idade do menor, que havia morrido”.

“Então perguntei: É um ser humano que me responde tão corretamente? Não houve resposta. Perguntei: É um espírito? Se for, de duas batidas. Duas batidas foram ouvidas assim que fiz o pedido. Então eu disse: Se for um espírito assassinado de duas batidas. Essas foram dadas instantaneamente, produzindo um tremor na casa. Perguntei: Foi assassinado nesta casa? A resposta foi como a precedente. A pessoa que o assassinou ainda vive? Resposta idêntica, por duas batidas. Pelo mesmo processo verifiquei que fora um homem que o assassinaram nesta casa e os seus despojos enterrados na adega; que a família era constituída de esposa e cinco filhos, dois rapazes e três meninas, todos vivos ao tempo de sua morte, mas que depois a esposa morrera. Então perguntei: Continuara a bater se chamarmos os vizinhos para que também escutem? A resposta afirmativa foi alta.”

Desse modo foram chamados vários vizinhos, os quais por sua vez convocaram outros, de maneira que, mais tarde e nos dias subseqüentes, o numero de curiosos era enorme. Naquela noite compareceram o Senhor Redfield, o Senhor e Senhora Duesler e os casais Hyde e Jewell.
“Mr. Duesler fez muitas perguntas e obteve as respostas. Em seguida indiquei vários vizinhos nos quais pude pensar, e perguntei se havia sido morto por algum deles, mas não obtive resposta. Apos isso, Mr. Duesler fez perguntas e obteve as respostas. Perguntou: Foi assassinado? Resposta afirmativa. Seu assassino pode ser levado ao tribunal? Nenhuma resposta. Pode ser punido pela lei? Nenhuma resposta. A seguir disse: Se seu assassino não pode ser punido pela lei de sinais. As batidas foram ouvidas claramente. Pelo mesmo processo Mr. Duesler verificou que ele tinha sido assassinado no quarto do leste, há quatro anos passado, e que o assassínio fora cometido aa meia noite de uma terça-feira, por Mr……; que fora morto com um golpe de faca de açougueiro na garganta; que o corpo havia sido enterrado; tinha passado pela dispensa, descido a escada e enterrado a dez pés abaixo do solo. Também foi constatado que o móvel fora dinheiro”.
“Quanta a quantia: cem dólares? Nenhuma resposta. Duzentos? Trezentos? etc. Quando mencionou quinhentos dólares as batidas confirmaram”.

“Foram chamados muitos dos vizinhos que estavam pescando no ribeirão. Estes ouviram as mesmas perguntas e respostas. Alguns permaneceram em casa naquela noite. Eu e as meninas saímos. Meu marido ficou toda à noite com Mr. Redfield. No sábado seguinte a casa ficou superlotada. Durante o dia não se ouviram os sons, mas ao anoitecer recomeçaram. Diziam que mais de trezentas pessoas achavam-se presentes. No domingo os ruídos foram ouvidos o dia inteiro por todos quantos se achavam em casa”.

Estes são os principais trechos do depoimento da Sra. Margareth Fox, que mais nos interessam para dar uma descrição viva dos acontecimentos de Hydesville, na sinistra noite de 31 de marco de 1848.
Os mais interessados em esclarecer o caso resolveram escavar a adega, visando encontrar os despojos do suposto assassinado. Eis que, através de combinação alfabética com as pancadas produzidas, chegaram aa identidade da vitima. Tratava-se de um mascate de nome Charles B. Rosma, o qual tinha trinta e um anos quando, ha quatro anos passado, fora assassinado naquela casa e enterrado na adega. O assassino fora um antigo inquilino. Só poderia ter sido o Sr. Bell ( quem diria hein?). Mas onde a prova do fato, o cadáver da vitima? A solução seria procurá-lo na adega, onde estaria enterrado.
As escavações, porem, não levaram a resultados definitivos, pois deram n’agua, sem que se tivessem encontrado quaisquer indicio. Por essa razão foram suspensas.
No verão de 1848, o próprio Sr. David Fox auxiliado por alguns interessados retomou o empreendimento. A uma profundidade de um metro e meio, encontraram uma tabua. Aprofundada a cova, encontraram o carvão, cal, cabelos e alguns fragmentos de ossos que foram reconhecidos por um medico como pertencentes a esqueleto humano; mais nada.

As provas do crime eram precárias e insuficientes, razão talvez pela qual o Sr. Bell não foi denunciado.

Em o numero de 23 de novembro de 1904, do Boston Journal, foi notificada a descoberta do esqueleto de um homem cujo Espírito se supunha ter ocasionado os fenômenos na casa da família Fox em 1848. Meninos de uma escola achavam-se brincado na adega da casa onde moravam os Fox. A casa tinha fama de ser mal-assombrada. Em meio aos escombros de uma parede - talvez falsa - que existira na adega, os garotos encontraram as pecas de um esqueleto humano.

Junto ao esqueleto foi achada um lata de uma espécie costumeira usada por mascates. Esta lata encontra-se agora em Lilydale, a sede central regional dos Espiritualistas Americanos, para onde foi transportada a velha casa de Hydesville.
Como pode ver-se, cinqüenta e seis anos depois, em 22 de novembro de 1904 (data do encontro do esqueleto do mascate), parece não haver duvida de que foram confirmadas as informações obtidas em 1848 a respeito do crime ocorrido naquela casa. Este episodia constitui-se em um notável caso de TCD (transcomunicação direta). As evidencias são muito fortes.

As duas garotas, Margareth e Kate, foram afastadas de sua casa, pois se suspeitava que os fenômenos eram ligados sobretudo aa sua presença. Margareth passou a morar com seu irmão David Fox. A Kate mudou-se para Rochester, onde ficou em casa de sua irmã Leah, então casada e agora Sra. fish. Entretanto, os ruídos insistiam em acompanhar as irmãs Fox; onde elas se achavam, ocorriam os fenômenos. Parece que agora se observava uma espécie de contagio, pois, Leah Fish, a irmã mais velha, passou a apresentar também os mesmos fenômenos. Logo mais, começaram a surgir em outras famílias:

“Era como uma nuvem psíquica, descendo do alto e se mostrando nas pessoas suscetíveis. Sons idênticos foram ouvidos em casa do Rev. A.H.Jervis, ministro metodista residente em Rochester. Poderosos fenômenos físicos irromperam na família do Diácono Hale, de Greece, cidade vizinha de Rochester. Pouco depois Mrs. Sarah A. Tamlin e Mrs. Benedict de Auburn, desenvolveram notável mediunidade (…)”.
O movimento espalhar-se-ia, mais tarde, pelo mundo, conforme fora afirmado em uma das primeiras comunicações através das irmãs Fox. As próprias forcas invisíveis insistiram para que se fizessem reuniões publicas onde elas pudessem manifestar-se ostensivamente. Era uma nova mensagem que vinha do mundo dos Espíritos, conclamando os homens para uma outra posição filosofico-religiosa.

A “Onda Espiritualista” passou da América para a Europa, cujo terreno já se encontrava preparado pelo desenvolvimento cientifico, e onde os fenômenos de TC (transcomunicação) iriam ser estudados mais tarde, com rigor e profundidade pelos fundadores da “Psychical Reserch” e da Metapsiquica.

A forma bastante comum sob a qual a manifestações de TC (transcomunicação) se apresentaram na Europa, foi a das “mesas girantes”. Vamos focalizar mais adiante e resumidamente esse período, do qual também se originou o Espiritismo na Franca, graças às investigações cientificas e ao método didático do ilustre intelectual liones, Denizard Hyppolite Leon Rivail (Allan Kardec).

Nunca é supérfluo enfatizar que não se deve confundir o “Spiritualism” com o espiritismo. O primeiro nasceu como um movimento popular, provocado por evidencias a favor da crença na existência, sobrevivência e comunicabilidade do Espírito. Posteriormente o “Spiritualism” adquiriu a forma de uma religião organizada que aspira, também, ser uma Ciência e uma Filosofia.
Agora, um ponto importante: o “Spiritualism” não incorporou a idéia da reencarnação. Ele admite apenas a continuidade da vida apos a morte, sem inferno ou céu, porem em continuo aprendizado e evolução na “Mundo Espiritual”.

Ha algumas diferenças entre os princípios básicos do “Spiritualism” e do Espiritismo. A mais profunda é a questão da “reencarnação”. O Espiritismo não só aceita o renascimento, como admite a Lei do Carma, considerando serem estes os fatores naturais da evolução do Espírito. Embora Allan Kardec, o codificador da Doutrina Espírita, considere Sócrates e Platão como os precursores da idéia crista e do Espiritismo, a sua atenção para a realidade da comunicação dos Espíritos foi despertada pelo fenômeno das “mesas girantes”.

A partir do episodio das irmãs Fox, a transcomunicação, aqui no ocidente, passou atrair a atenção de um pequeno grupo de cientistas. Inicialmente, tais investigadores achavam-se, em sua maioria, imbuídos de forte cepticismo acerca dos fenômenos paranormais que passaram a ganhar popularidade inusitada na Europa. Somente a curiosidade diante da estranheza de tais ocorrências conseguiu levar esses poucos cientistas a observá-las. Logo no começo da fase, as pesquisas conduziram aa formação de três categorias de pessoas, conforme suas opiniões acerca da natureza dos referidos fenômenos.

O primeiro grupo consistiu nos que viram nesses fatos uma confirmação de suas crenças na sobrevivência, na comunicabilidade e progresso dos Espíritos. A natureza do homem, para eles, era dual, e continha um componente espiritual alem do material. Desta interpretação, surgiu um aspecto religioso como decorrência imediata do reconhecimento da natureza espiritual da criatura humana. O “Spiritualism”, na Inglaterra, e o Espiritismo, na Franca, são exemplos dessa interpretação, embora ambos reivindiquem, também, para suas doutrinas, os aspectos filosóficos e científicos.

Um segundo grupo constituiu-se, em sua maioria, por cidadãos de acentuado interesse cientifico. Alguns já eram cientistas profissionais, professores e investigadores em diversas áreas de conhecimento teórico e pratico. Outros, com títulos e formação superior, embora não especialistas em disciplinas cientificas, sentiram-se também interessados em investigar de maneira racional os referidos fatos, denominados, na época, “fenômenos psíquicos”. Dai a designação usual desta atividade: “Psychical Research” (Pesquisa Psiquica). Na Franca, Charles Richet deu-lhe outro nome: “Metapsiquica”.

No segundo grupo, figuravam, indistintamente, os espiritualistas, os indiferentes e os materialistas. Apenas os seguintes objetivos pareciam movê-los: confirmar ou negar os propalados fenômenos e, no caso afirmativo, descobrir a sua real causa eficiente.
Finalmente, um terceiro grupo, compreendendo a maioria dos interessados, colocou-se em franco antagonismo relativamente aos dois primeiros. Compunha-se de cientistas, intelectuais em geral, jornalistas e pessoas comuns. Alguns eram fieis ou chefes de religiões instituídas. Grande número desses cidadãos, especialmente os intelectuais, achava-se impregnado de filosofias materialistas e havia absorvido as idéias positivistas. Revelaram-se profundamente cépticos e procuraram liquidar com a crença nos aludidos fenômenos. Para eles, os fenômenos paranormais eram manifestações de superstição, ilusões e fraudes, ou alienação mental. Para alguns religiosos, poderiam ser armadilhas do “demônio”, ou tentativas de indivíduos mal intencionados que visavam abalar as bases das religiões tradicionais. Outros chegavam a acreditar que se tratava da revivescência da Magia e do Ocultismo, numa tentativa de domínio de opinião publica.

Foi neste clima que se desenrolaram as dramáticas transcomunicações, cuja iniciativa, ao que parece, partiu do Plano Espiritual. As manifestações mais em evidência foram as chamadas “Mesas Girantes”. Este episódio inaugurou o Período Espiritico, conforme a classificação de Charles Richet. Segundo este sábio, tal período vai das irmãs Fox ate as pesquisas de Sir Willian Crookes, em 1872.

Reconciliação com seu Inimigo

Cristo

A morte, como sabemos, não nos livra dos nossos inimigos; os Espíritos vingativos perseguem, muitas vezes, com seu ódio, no além-túmulo, aqueles contra os quais guardam rancor; donde decorre a falsidade do provérbio que diz: “Morto o animal, morto o veneno”, quando aplicado ao homem.

JESUS disse: Reconciliai-vos o mais depressa possível com o vosso adversário, enquanto
estais com ele a caminho, para que ele não vos entregue ao juiz, o juiz não vos entregue
ao ministro da justiça e não sejais metido em prisão. - Digo-vos, em verdade, que daí
não saireis, enquanto não houverdes pago o último ceitil. (S. MATEUS, cap. V, vv. 25 e 26.)

Na prática do perdão, como, em geral, na do bem, não há somente um efeito moral: há também um efeito material. A morte, como sabemos, não nos livra dos nossos inimigos; os Espíritos vingativos perseguem, muitas vezes, com seu ódio, no além-túmulo, aqueles contra os quais guardam rancor; donde decorre a falsidade do provérbio que diz: “Morto o animal, morto o veneno”, quando aplicado ao homem.

O Espírito mau espera que o outro, a quem ele quer mal, esteja preso ao seu corpo e, assim, menos livre, para mais facilmente o atormentar, ferir nos seus interesses, ou nas suas mais caras afeições. Nesse fato reside a causa da maioria dos casos de obsessão, sobretudo dos que apresentam certa gravidade, quais os de subjugação e possessão. O obsidiado e o possesso são, pois, quase sempre vítimas de uma vingança, cujo motivo se encontra em existência anterior, e à qual o que a sofre deu lugar pelo seu proceder. Deus o permite, para os punir do mal que a seu turno praticaram, ou, se tal não ocorreu, por haverem faltado com a indulgência e a caridade, não perdoando.

Importa, conseguintemente, do ponto de vista da tranqüilidade futura, que cada um repare, quanto antes, os agravos que haja causado ao seu próximo, que perdoe aos seus inimigos, a fim de que, antes que a morte lhe chegue, esteja apagado qualquer motivo de dissensão, toda causa fundada de ulterior animosidade. Por essa forma, de um inimigo encarniçado neste mundo se pode fazer um amigo no outro; pelo menos, o que assim procede põe de seu lado o bom direito e Deus não consente que aquele que perdoou sofra qualquer vingança.

Quando Jesus recomenda que nos reconciliemos o mais cedo possível com o nosso adversário, não é somente objetivando apaziguar as discórdias no curso da nossa atual existência; é, principalmente, para que elas se não perpetuem nas existências futuras. Não saireis de lá, da prisão, enquanto não houverdes pago até o último centavo, isto é, enquanto não houverdes satisfeito completamente a justiça de Deus.

Código da Bíblia. Porque tantas Parábolas?

Cristo

Porque Jesus esconde suas palavras em parábolas e alegorias? O que queria dizer Jesus quando disse a seus apóstolos: “Falolhes por parábolas, porque não estão em condições de compreender certas coisas. Eles vêem, olham, ouvem, mas não entendem. Fora, pois, inútil tudo dizer-lhes, por enquanto. Digo-o, porém, a vós, porque dado vos foi compreender estes mistérios.” (MATEUS 13:10)

Procedia, portanto, com o povo, como se faz com crianças cujas idéias ainda se não desenvolveram. Desse modo, indica o verdadeiro sentido da sentença: “Não se deve pôr a candeia debaixo do alqueire, mas sobre o candeeiro, a fim de que todos os que entrem a possam ver.” Tal sentença não significa que se deva revelar inconsideradamente todas as coisas. Todo ensinamento deve ser proporcionado à inteligência daquele a quem se queira instruir, porquanto há pessoas a quem uma luz por demais viva deslumbraria, sem as esclarecer.

Dá-se com os homens, em geral, o que se dá em particular com os indivíduos. As gerações têm sua infância, sua juventude e sua maturidade. Cada coisa tem de vir na época própria; a semente lançada à terra, fora da estação, não germina. Mas, o que a prudência manda calar, momentaneamente, cedo ou tarde será descoberto, porque, chegados a certo grau de desenvolvimento, os homens procuram por si mesmos a luz viva; pesa-lhes a obscuridade. Tendo-lhes Deus outorgado a inteligência para compreenderem e se guiarem por entre as coisas da Terra e do céu, eles tratam de raciocinar sobre sua fé. E então que não se deve pôr a candeia debaixo do alqueire, visto que, sem a luz da razão, desfalece a fé. (Cap. XIX, nº 7.)

Se, pois, em sua previdente sabedoria, a Providência só gradualmente revela as verdades, é claro que as desvenda à proporção que a Humanidade se vai mostrando amadurecida para as receber. Ela as mantém de reserva e não sob o alqueire. Os homens, porém, que entram a possuí-las, quase sempre as ocultam do vulgo com o intento de o dominarem. São esses os que, verdadeiramente, colocam a luz debaixo do alqueire. É por isso que todas as religiões têm tido seus mistérios, cujo exame proíbem. Mas, ao passo que essas religiões iam ficando para trás, a Ciência e a inteligência avançaram e romperam o véu misterioso. Havendo-se tornado adulto, o vulgo entendeu de penetrar o fundo das coisas e eliminou de sua fé o que era contrário à observação. Não podem existir mistérios absolutos e Jesus está com a razão quando diz que nada há secreto que não venha a ser conhecido. Tudo o que se acha oculto será descoberto um dia e o que o homem ainda não pode compreender lhe será sucessivamente desvendado, em mundos mais adiantados, quando se houver purificado. Aqui na Terra, ele ainda se encontra em pleno nevoeiro.

Pergunta-se: que proveito podia o povo tirar dessa multidão de parábolas, cujo sentido se lhe conservava impenetrável? E de notar-se que Jesus somente se exprimiu por parábolas sobre as partes de certo modo abstratas da sua doutrina. Mas, tendo feito da caridade para com o próximo e da humildade condições básicas da salvação, tudo o que disse a esse respeito é inteiramente claro, explícito e sem ambigüidade alguma. Assim devia ser, porque era a regra de conduta, regra que todos tinham de compreender para poderem observá-la. Era o essencial para a multidão ignorante, à qual ele se limitava a dizer: “Eis o que é preciso se faça para ganhar o reino dos céus.” Sobre as outras partes, apenas aos discípulos desenvolvia o seu pensamento. Por serem eles mais adiantados, moral e intelectualmente, Jesus pôde iniciá-los no conhecimento de verdades mais abstratas. Daí o haver dito: Aos que já têm, ainda mais se dará. (Cap. XVIII, nº 15.) Entretanto, mesmo com os apóstolos, conservou-se impreciso acerca de muitos pontos, cuja completa inteligência ficava reservada a ulteriores tempos. Foram esses pontos que deram ensejo a tão diversas interpretações, até que a Ciência, de um lado, e o Espiritismo, de outro, revelassem as novas leis da Natureza, que lhes tornaram perceptível o verdadeiro sentido.

O Espiritismo, hoje, projeta luz sobre uma imensidade de pontos obscuros; não a lança, porém, inconsideradamente. Com admirável prudência se conduzem os Espíritos, ao darem suas instruções. Só gradual e sucessivamente consideraram as diversas partes já conhecidas da Doutrina, deixando as outras partes para serem reveladas à medida que se for tornando oportuno fazê-las sair da obscuridade. Se a houvessem apresentado completa desde o primeiro momento, somente a reduzido número de pessoas se teria ela mostrado acessível; houvera mesmo assustado as que não se achassem preparadas para recebê-la, do que resultaria ficar prejudicada a sua propagação. Se, pois, os Espíritos ainda não dizem tudo ostensivamente, não é porque haja na Doutrina mistérios em que só alguns privilegiados possam penetrar, nem porque eles coloquem a lâmpada debaixo do alqueire; é porque cada coisa tem de vir no momento oportuno. Eles dão a cada idéia tempo para amadurecer e propagar-se, antes que apresentem outra, e aos acontecimentos o de preparar a aceitação dessa outra.

Uso da pedra

Vida

O distraído nela tropeçou.
O bruto a usou como projétil.
O empreendedor, usando-a, construiu.
O camponês, cansado da lida, dela fez assento.
Para meninos, foi brinquedo.
Drummond a poetizou.
Já David matou Golias, e Michelangelo
extraiu-lhe a mais bela escultura…

E em todos esses casos, a diferença
não esteve na pedra, mas no homem!

Necessidade, o Dinheiro, o Poder e a Cólera

Vida

Diante da vibração de alegria em todos os semblantes, Jesus contou, bem-humorado:

— Apareceu na velha cidade de Nínive um homem tão profundamente consagrado a
Deus que todos os seus contemporâneos, por isso, lhe rendiam especial louvor. Tão rasgados eram os elogios à sua conduta que as informações subiram ao Trono do Eterno. E, porque vários Arcanjos pedissem ao Todo-Poderoso a transferência dele para o Céu, determinou a Divina Sabedoria fosse procurado, na selva da carne, a fim de verificar-se, com exatidão, se estava efetivamente preparado para a sublime investidura.

Para isso, os Anjos Educadores, a serviço do Altíssimo, enviaram à Terra quatro rudes
descobridores de homens santificados — e a Necessidade, o Dinheiro, o Poder e a Cólera desceram, cada qual a seu tempo, para efetuarem as provas indispensáveis.
A necessidade que, em casos desses, sempre surge em primeiro lugar, aproximou-se do
grande crente e se fez sentir, de vários modos, dando-lhe privações, obstáculos, doenças e abandono de entes amados; entretanto, o devoto, robusto na confiança, compreendeu na mensageira uma operária celeste e venceu-a, revelando-se cada vez mais firme nas virtudes de que se tornara modelo.
Chegou, então, a vez do Dinheiro. Acercou-se do homem e conferiu-lhe mesa lauta, recursos
imensos e considerações sociais de toda sorte; mas o previdente aprendiz lembrou-se da
caridade e, afastando-se das insinuações dos prazeres fáceis, distribuiu moedas e posses em
multiplicadas obras do bem, conquistando o equilíbrio financeiro e a veneração geral.
Vitorioso na segunda prova, veio o Poder, que o investiu de larga e brilhante autoridade.

O devoto, contudo, recordou que a vida, com todas as honrarias e dons, é simples empréstimo da Providência Celestial e usou o Poder com brandura, educando quantos o rodeavam, por intermédio da instrução e do trabalho bem orientados, recebendo, em troca, a obediência e a admiração do povo entre o qual nascera. Triunfante e feliz, o crente foi visitado, enfim, pela Cólera. De maneira a sondar-lhe a posição espiritual, a instrutora invisível valeu-se dum servo fraco e ignorante e tocou-lhe o amor próprio, falando, com manifesta desconsideração, em assunto privado que, embora expressão da verdade, constituía certo desrespeito a qualquer pessoa de sua estatura social e indiscutível
dignidade. O devoto não resistiu. Intensa onda sangüínea lhe surgiu no rosto congesto e ele se desfez em palavras contundentes, ferindo familiares e servidores e prejudicando as próprias obras.
Somente depois de muitos dias, conseguiu restaurar a tranqüilidade, quando, porém, a Cólera já lhe havia desnudado o íntimo, revelando-lhe o imperativo de maior aperfeiçoamento e notificando ao Senhor que aquele filho, matriculado na escola de iluminação, ainda requeria muito
tempo, na experiência purificadora, para situar-se nas vibrações gloriosas da vida superior.
Curiosidade geral transparecia do semblante de todos os presentes, que não ousaram trazer à baila qualquer nova ponderação. Estampando no rosto sereno sorriso, o Cristo terminou:

— Quando o homem recebe todas as informações de que necessita para elevar-se ao Céu, determina o Pai Amoroso seja ele procurado pelas potências educadoras. A maioria dos crentes perdem a boa posição, que aparentemente desfrutavam, nos exercícios da Necessidade que lhes examina a resistência moral; muitos voltam estragados das sugestões do Dinheiro que lhes observa o desprendimento dos objetivos inferiores e a capacidade de agir na sementeira do bem; alguns caiem, desastradamente, pelas insinuações do Poder que lhes experimenta a competência para educar e salvar os companheiros da jornada humana, e raríssimos são aqueles que vencem a visita inesperada da Cólera, que vem ao círculo do homem anotar-lhe a diminuição do amor próprio, sem a qual o espírito não reflete o brilho e a grandeza do Criador, nos
campos da vida eterna.
O Mestre calou-se, sorriu compassivamente, de novo, e, porque ninguém retomasse a
palavra, a reunião da noite foi encerrada.”

Espírito Neio Lúcio,
psicografado por Chico Xavier,
no livro Jesus no Lar.

As Virtudes

Espiritos

O santo não condena o pecador. Ampara-o sem presunção.
O sábio não satiriza o ignorante. Esclarece-o fraternalmente.
O iluminado não insulta o que anda nas trevas. Aclara-lhe a senda.
O orientador não acusa o aprendiz tateante. A ovelha insegura é a que mais reclama o pastor.
O bom não persegue o mau. Ajuda-o a melhorar-se.
O forte não malsina o fraco. Auxilia-o a erguer-se.
O humilde não foge ao orgulhoso. Coopera silenciosamente em favor dele.
O sincero a ninguém perturba. Harmoniza a todos.
O simples não critica o vaidoso. Socorre-o, sem alarde, sempre que necessário.
O cristão não odeia nem fere. Segue a Cristo, servindo ao mundo. /
DE OUTRO MODO, OS TÍTULOS DE VIRTUDE SÃO MERAS CAPAS EXTERIORES QUE O TEMPO DESFAZ.

Espirito André Luiz,
psicografado por Chico Xavier.
do livro Agenda Cristã